Um breve retrato da Disfagia
Desidratação, malnutrição e infecções pulmonares. São estas as complicações principais da Disfagia. A Disfagia é um sintoma, associado a algumas doenças, definido como uma dificuldade ou incapacidade de deglutição que afecta, geralmente, a população idosa, maioritariamente acima dos 65 anos de idade.Causada por complicações neurológicas, cancro da cabeça e do pescoço, paralisia cerebral, doença de Huntington e estenose benigna do esófago, entre outros, a Disfagia implica a incapacidade do paciente em realizar a deglutição adequada de alimentos sólidos ou líquidos. Neste quadro, o bolo alimentar não segue a via do tracto digestivo, mas a via respiratória, podendo promover episódios de pneumonia de aspiração e até conduzir à morte.
Como consequência, muitos pacientes começam a rejeitar os alimentos e o consumo de água, comprometendo o seu estado nutricional e, consequentemente, o seu estado clínico. Úlceras de pressão, aumento da susceptibilidade às infecções e redução do bem-estar físico e mental, são alguns dos riscos associados.
Dados científicos indicam que 75% dos pacientes disfágicos apresentam desidratação, a qual provoca a falha orgânica de muitos órgãos. Cerca de 34% dos pacientes com diagnóstico de Disfagia têm episódios de aspiração, e mais de 20% apresentam complicações associadas a este tipo de episódios (exemplo: pneumonia de aspiração).
É fundamental assegurar a qualidade do estado nutricional do paciente de modo a prevenir a malnutrição, bem como fornecer a consistência adequada dos líquidos, de forma a prevenir a desidratação dos pacientes. Assim, os alimentos líquidos necessitam de ser espessados e os sólidos precisam de ser transformados em purés cremosos, podendo o aporte hídrico ser reforçado através do consumo de água gelificada.
Assim, porque os olhos também comem e com o objectivo de evitar uma alimentação monótona e cansativa, as refeições deste paciente têm de privilegiar o aspecto visual e devolver-lhe o prazer em comer, sem medo.


