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Oncologia

A nutrição é um aspeto fulcral a ter em conta na gestão da doença oncológica, dado que as necessidades nutricionais diárias estão aumentadas nestes doentes.

Simultaneamente, os efeitos secundários dos tratamentos, tais como as náuseas, vómitos, diarreia ou alterações de paladar, têm impacto na alimentação diária dos doentes, levando a que ingiram menos quantidades às refeições.1

Quando a ingestão alimentar não é suficiente para cobrir as necessidades nutricionais, aumenta o risco de malnutrição, que se reflete na perda de peso de forma involuntária e, principalmente, na perda de massa muscular.2 A malnutrição tem um impacto negativo no doente oncológico, diminuindo a resposta ao tratamento e aumentando o risco de complicações.3-6

Sempre que a alimentação habitual não seja suficiente para cobrir as necessidades nutricionais do doente oncológico, o profissional de saúde poderá indicar a toma de um suplemento nutricional oral (SNO). Os SNO permitem um aumento da ingestão alimentar sem impactar o apetite do doente, levando a uma melhoria significativa do peso e da composição corporal, da força muscular e da qualidade de vida.7,8

Para garantir uma adequada adesão ao SNO existem alguns aspetos fundamentais a ter em conta, entre os quais o volume, a temperatura e os sabores. Suplementos nutricionais orais que tenham um baixo volume e elevado aporte calórico, e com uma maior variedade de sabores, permitem uma maior adesão por parte dos doentes oncológicos. Quanto à temperatura, os SNO podem ser refrigerados ou ligeiramente amornados (sem ferver), de acordo com a preferência do doente.9-11

As alterações de paladar e olfato também podem afetar a adesão do doente ao SNO. Até 70% dos doentes desenvolvem estas mesmas alterações antes, durante e até 1 ano após os tratamentos.12 Existem SNO especificamente desenvolvidos e validados para esta condição específica, que permitem uma sensação intensa ou refrescante no momento da toma.13 Devem ser tomados sob supervisão de um profissional de saúde.

1. Arends J, et al. Clin Nutr. 2017; 36(1):11-48.
2. Caro M, et al. Clin Nutr. 2007;26(3):289-301.
3. Martin L, et al. J Clin Oncol. 2015;33(1):90.
4. Prado CM, et al. Proc Nutr Soc. 2016;75(2):188-98.
5. Burden ST, et al. J Cachexia, Sarcopenia and Muscle. 2017.
6. Fokuda et al. Ann Surg Oncol. 2015;22:S77-85.
7. Arends J, et al. Clin Nutr. 2016; 1-38.
8. Cawood et al. Ageing Res. Rev 2012;11:278-96.
9. Hubbard GP et al. Clin Nutr. 2012; 31: 293-312.
10. Enriquez-Fernández B, et al. Support Care Cancer.2019;27:333–349.
11. Stratton R et al, Proc Nutr Soc. 2010;69(4):477-87.
12. Spotten, Ann J Oncol. 2017; 28(5):969-984.
13. De Haan J, et al. Annals of Oncology. 2018;29(8):viii603-viii640.